PCC – O crime organizado brasileiro

Como na Itália, o território brasileiro é dividido em unidades geográficas. São os Estados, equivalentes à Regiões italianas. São Paulo, o Estado mais importante e mais rico, convive com um medo permanentemente: a ação do crime organizado, em particular o tráfico de drogas.
Para controlar inúmeros territórios em centenas de cidades os criminosos têm planos ousados. Entre eles matar juízes, policiais e até mesmo um plano para matar o governador Geraldo Alckmin foi arquitetado alguns anos atrás.



Vivendo em celas de segurança máxima no interior do Estado de São Paulo, chefões da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) transmitiram, por escrito (bilhetes à moda do “boss” mafioso Bernardo Provenzano e escondidos na vagina de mulheres) ou via celular, um recado bastante claro para a rede em liberdade: para cada criminoso morto pelas forças do Estado de São Paulo, dois policiais deviam morrer; para cada bandido preso por meio de provas forjadas, um policial devia ser morto.

É São Paulo vivendo uma vingança Ardeatina, pela qual Hitler, após a explosão em Roma de uma bomba que matou 32 soldados alemães, ditou a seguinte ordem: para cada soldado nazista morto, 10 italianos, membros da resistência civil, deveriam ser mortos. E assim, junto às grutas Ardeatinas, 335 “partigiani” foram executados com tiro na nuca. Em 2012, ano em que a ordem dos chefões do PCC foi lançada 106 policiais que atuam no Estado de São Paulo perderam suas vidas. Coincidentemente, no mesmo dia, 11 de outubro, em que a imprensa italiana noticiava a morte, em Roma, de Erich Priebke, um dos oficiais nazistas responsáveis pelo massacre – fato que abriu uma grande polêmica em relação ao seu funeral, diante da decisão do prefeito de Roma, Ignazio Marino, de impedir o sepultamento nazista na cidade.



Através de investigações realizadas pelo Ministério Público conseguiram apurar que a ordem de vingar bandidos mortos ou presos pela polícia foi desencadeada às 23h40 de 13 de agosto de 2012, pelo preso Jonathan da Silva Santana, que repassou a ordem para um de seus comparsas. O trabalho dos promotores também desvendou um esquema de corrupção pelo qual policiais do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) agiam em cumplicidade com o PCC. Somente em São Paulo mais de 30 policiais foram presos no ano passado por tráfico de drogas, extorsão e ligações com o PCC.

Fundador do Instituto Brasileiro Giovani Falcone, o juiz aposentado Walter Fanganiello Maierovitch, comentando a repressão da polícia de São Paulo ao PCC, coloca o dedo na ferida: o crime organizado precisa ser abatido na sua raiz, que é justamente o seu coração financeiro, ou seja, o sistema de arrecadação e lavagem de dinheiro. Fanganiello costuma lembrar que na Itália, as operações antimáfia conseguiram aprender, entre 2006 e 2010, oito bilhões de euros da organização mafiosa Cosa Nostra.

Em breve falaremos sobre outras facções criminosas existentes no Brasil e suas ramificações.

Por: Luigi Fasolo com informações archivio1

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Um comentário em “PCC – O crime organizado brasileiro

  • 23 de Janeiro de 2018 em 16:07
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    É pelo visto eles falharam no plano!

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