FBI manda mensagem ao Chicago Outfit: “Nós não esquecemos de vocês”

O novo chefe do FBI de Chicago emitiu um comunicado ao Chicago Outfit durante uma entrevista com um afiliado do ABC (American Broadcasting Company) em novembro do ano passado.

Ele prometeu que o escritório do FBI de Chicago “se concentrará no crime organizado”. “Chicago Outfit, nós não esquecemos de vocês’’, disse Jeffrey Sallet, agente especializado de Chicago, em entrevista a ABC.

Sallet trabalhou anteriormente em Nova Orleans, Nova York e Boston; Ele é considerado um especialista em investigações da máfia. Ele começou sua carreira em Nova York, onde seu trabalho incluiu a investigação da família do crime Bonanno como parte do esforço da derrubada da máfia em 2011 coordenado pelo FBI, no qual mais de 100 mafiosos foram capturados. Ele também trabalhou na captura do famoso chefe do crime de Boston e do fugitivo de longa data James “Whitey” Bulger, também em 2011.

“Os caras da ‘’família’’ são resilientes”, disse Sallet em um relatório anterior. “Onde há uma oportunidade de ganhar dinheiro, eles se envolverão. A razão pela qual eles não matam pessoas da mesma forma que fizeram há 25 anos é porque é ruim para os negócios”.

Ele reconheceu que o FBI nos últimos anos foi empurrado em direções diferentes para se orientar para a evolução das ameaças colocadas pelo terrorismo, a corrupção e as gangues de rua. No entanto, “o crime organizado da máfia ainda é uma força criminal em Chicago que não pode ser negligenciada”, disse ele.

“Um grupo de pessoas que acordam todos os dias com a ideia de roubar e tirar dinheiro de outras pessoas através da intimidação e do poder é um grupo que precisamos olhar. O Chicago Outfit tem 100 anos, então, quando você olha para uma organização com 100 anos de idade e diz para não investigar esses caras porque estão acabados, seria um grande erro “. Salientou ele.

O FBI começou a investigar o Chicago Outfit como parte do programa Top Hoodlum de J. Edgar Hoover, lançado em 1953 com base na própria admissão do FBI. A história do ABC diz que o programa foi lançado em 1959 e foi a resposta de Hoover a Apalachin (que foi um comício feito em 14 de novembro de 1957, no qual, membros da máfia se reuniram para discutir suas operações mafiosas e para confirmar a liderança das famílias). É bastante encantador que a “desinformação” do FBI sobre o programa continua enterrado nas empresas de mídia.

Em resposta ao crime organizado, em 25 de agosto de 1953, o Programa Top Hoodlum foi criado. Através dele, todos os oficiais de campo deveriam reunir informações sobre mafiosos e membros de organizações criminosas em seus territórios, e enviá-las regularmente a Washington, para um banco de dados centralizado de inteligência sobre este tipo de criminosos.

A investigação TPH em Chicago atingiu os chefes da Outfit e seus braços. Especificamente, um seleto esquadrão de agentes do FBI plantou grampos em dois locais conhecidos da reunião do Outfit, o costureiro Celano na Michigan Avenue e uma taberna do Forest Park.

Os agentes federais invadiram a loja de alfaiate e colocaram o microfone que foi apelidado de “Little Al” (pequeno Al) pelos agentes do FBI, em homenagem ao Capone. As conversas da loja de alfaiate acabaram levando a aplicação da lei para se concentrar em Anthony “Joe Batters” Accardo, Sam “Mooney” Giancana e várias dúzias de outros.

O FBI, orgulhosamente e prodigiosamente, faz referência ao programa Top Hoodlum da Hoover por ser um esforço pioneiro para quebrar o crime organizado. No entanto, uma coisa que o FBI até hoje não parece reconhecer em toda a verbiagem é que o Programa Top Hoodlum foi ilegal, e é por isso que foi voluntário e por esse motivo Hoover impôs restrições a todos os agentes que trabalharam o caso.

William E. Roemer, Jr., atribuído ao escritório de campo do FBI em Chicago, foi um dos primeiros agentes a se voluntariar para investigar os “caras da máfia’’ sob o Programa Top Hoodlum. Em Man Against the Mob, Roemer observou que, ao invadir lugares para plantar escutas, os agentes tiveram que:

Tentar escapar sem ser identificado se a polícia (ou os mafiosos) soubessem sobre eles, estariam por conta própria. E, se pegos pelos policiais de Chicago, os agentes não podiam se identificar como tais. (Assim, eles não usavam crachás e deixavam suas credenciais e armas em casa.)

Se eles fossem presos pela polícia e a verdade sobre o envolvimento do FBI fosse revelada, os agentes envolvidos seriam presos e estariam agindo por conta própria sem o consentimento do FBI (ou seja, seria julgados como traidores), não podendo revelar a verdade sobre o caso.

Os agentes que, de bom grado, se ofereceram para o dever, fizeram isso com seu forte sentimento de compromisso de “quebrar” o crime organizado de Chicago. Ou eram simplesmente viciados em adrenalina que procuravam uma solução.

O caso de 2005 Family Secrets (segredos de família) também foi uma das mais importantes investigações do FBI no Outfit, bem como uma das mais bem-sucedidas na história do FBI. Que contou com a ajuda do filho de um chefe da máfia que enviou uma carta ao FBI contando a rotina da família de Calabrese, dominada por um patriarca violento, que alicia um irmão e dois de seus filhos para a máfia. A acusação envolveu 14 réus e solucionou 18 assassinatos anteriormente não resolvidos.

Por: Luigi Fasolo

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